Finalmente um contrato
Não vou começar dizendo que vivemos em tempos de paz, mas devo argumentar que as mais temíveis guerras não existem mais. Não estou referindo à guerras políticas nem à novas classificações de guerras que sobem os morros. Falo da guerra de todos contra todos no assombroso estado de natureza. Essa é, sim, a mais temida, pois sabemos que só podemos contar com nossa própria força e , por isso, nos sentimos vulneráveis aos mais fortes. imaginem viver sem segurança, com medo e gozando de uma liberdade superficial! Isso não é mesmo para homens, que nascem pra ter liberdade plena e viver em segurança. Liberdade é você fazer tudo que quer e sem medo. Sendo assim, percebo a superficialidade e quase ausência de liberdade no estado de natureza, pois, lá até que poderíamos fazer tudo o que quiséssemos, porém, viveríamos constantemente com medo de ser atacado por alguém mais forte, e simplesmente desfaleceríamos sem que niguém, forte o bastante para deter nosso inimigo, pudesse entrar na luta em nossa defesa. Sendo assim, conhecendo nossa própria vulnerabilidade, optaríamos por não fazer algo que pudesse oferecer risco do enfrentamento com o mais forte. logo, então, perderíamos a liberdade. Ainda pior, saberíamos que ela existe, porém, seria inatingível por todos, por causa do medo.
Mas finalmente, nós homens, em nossa magnífica inteligência e racionalidade, finalmente celebramos um contrato. Contrato esse com cláusulas de garantia da plenitude da liberdade e da excelência da segurança. Aliviados estamos com a criação do Estado; o que seonhávamos: O mais forte em defesa de todos. Muito mais, criado por nós, fruto de nossa vontade. Agora podemos fazer tudo o que queremos e sem medo, porque o Contrato criou um ser que oferece segurança e garante a real liberdade. Por ser fruto da nossa vontade, o Estado existirá para resguardar nossos interesses. Racionalmente desistimos de lutar pelas nossas vidas e correr o risco de perdê-las para os mais fortes e legitimamos o poder de lutar pela vida de todos ao Estado, que é todos. Agora sim, teremos vida longa, porque o Estado é forte e é o coletivo de todos os fracos e fortes. Somente agora desfrutamos de total liberdade; sim, total liberdade. Os que não incorporaram o Espírito do Estado podem me questionar: mas como desfrutamos de total liberdade se o Estado possui normas que não me permitem fazer algumas coisas? Onde então poderemos ver a liberdade plena? É exatamente nesse questionamento que chegamos à resposta máxima: se o Estado é fruto da nossa própria vontade, suas leis também o são. Logo o que está na norma, é o que eu não quero fazer, pois se eu quisesse, não a colocaria como proibida. E mais, como liberdade é poder fazer tudo que quero sem medo, a segurança que o Estado me oferece faz ausentar-se o medo. Sendo assim, os que acreditam que não existe total liberdade com o Estado não incorporaram o Espírito do Estado, que é o conhecimento da sua essência, o entendimento do Contrato. Incorporar o Espírito do Estado é ter a plena consciência de que o Estado só existe por nossa vontade. Portanto, se ele não me oferece segurança contra os que não incorporaram seu espírito e assim, atentam contra mim, e não me oferece liberdade, eu tenho o poder de fazê-lo não mais existir. Todavia, como sabemos do horror da sua ausência, é muito mais sensato incorporar o seu espírito e racionalizar a sua essência, pois se caso ele viole o princípio da boa fé objetiva manifestaremos nossa vontade para que suas cláusulas não se desviem de seu objetivo precípuo.
Esse artigo foi publicado na 2ª edição do Jornal Expresso Notícias de Betim- MG
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